
Como vimos na primeira parte,esse "livro pra crianças" nos dá lições muito importantes,que nem percebemos devido a correria do dia a dia e da vida agitada.Mas é pra isso que estamos discutindo,pra tentar entender o que a subjetividade da obra nos mostra e tentar aprender algo com ela.
=DO principezinho falava muito sobre a importância dos detalhes,das coisa pequenas que dão todo sentido a algo,devido ao afeto.O fato de que as pessoas grandes só dão importância às "coisas sérias" e acabam esquecendo de coisas essenciais,como o amor e a amizade.De que adianta ter o mundo se você não tem com quem dividir? é aí que você descobre que o importante não é o que você tem na vida ,mas sim quem você tem na vida.
"Eu conheço um planeta,onde há um sujeito vermelho,quase roxo.Nunca cheirou uma flor,nunca olhou uma estrela. [...]
Nunca amou ninguém,nunca fez outra coisa senão somas.E o dia todo repete como tu:"eu sou um homem sério!eu sou um homem sério!"e isso o faz inchar-se de orgulho.Mas ele não é um homem,ele é um cogumelo."
Já ao observar o relacionamento dele com a flor,podemos perceber características presentes em praticamente todos os relacionamentos.No começo,tudo é lindo e maravilhoso,as descobertas sobre o outro e o encantamento acontece.Com o tempo passamos a tentar proteger de todas as maneiras um sentimento que se demonstra forte e frágil ao mesmo tempo.No caso do pequeno principe,por mais que ele estivesse encantado pela sua rosa que se dizia única no mundo e que o proporcionava felicidade,ele não conseguia aceitar algumas atitudes dela que o magoavam,e assim ,ele acabou sobrepondo o que o magoava sobre o sentimento que ele tinha por ela,percebendo mais tarde que como ele próprio diz:
"Não a devia ter escutado-confessou-me um dia-não se deve nunca escutar as flores-.
Basta olha-las,aspirar seu perfume.A minha embalsamava o planeta,mas eu não me contentava com isso.A tal história das garras ,que tanto me agastara,me devia ter enternecido.[...]Não soube compreender coisa alguma!devia tê-la julgado pelos atos e não pelas palavras,ela me perfumava,me iluminava...não devia jamais ter fugido[...]São tão contraditórias as flores!mas eu era jovem demais para saber amar."
Isso associa-se ao fato de que nunca estamos satisfeitos o suficiente com o outro,sempre queremos algo além,queremos que ele corresponda a nossa expectativa,nossos sonhos e desejos.Buscando uma espécie de "perfeição" na pessoa amada,porém como todos somos imperfeitos,únicos e estamos sujeitos ao erro,acabamos nos decepcionando e decepcionando ao outro. =/
Temos que saber definir o que realmente vale a pena,pois quando trata-se de ser feliz não existem limites nem regras,e entender que 'É preciso suportar duas ou três larvas,se quiser conhecer as borboletas."

Depois de se magoar com a rosa,o nosso pequeno principe resolveu passear pelo universo,parando assim em alguns asteróides.Em cada asteróide ele aprendeu e ensinou algumas coisas.Conviveu com um rei que acreditava dominar todas as coisas e que não tolerava desobediência,com um homem extremamente vaidoso que só ouvia elogios,com um bêbado que tinha vergonha de beber,com um homem de negócios que não tinha tempo pra ser feliz,com um acendedor de lampiões que obedecia regras sem questionar e com um geógrafo que não se preocupava em explorar.
Tais personagens são maneiras de personificar momentos e atitudes do sujeito,fazendo-o refletir sobre as mesmas e adotar novas posturas.
Com o personagem do rei,vemos que embora ele não tolerasse desobediência,ele nunca ordenava nada que não pudesse ser realizado.Se você exige de alguém algo que ele não pode oferecer,você é que está errado,pois cada um sabe dos seus limites.
"É preciso exigir de cada um,apenas o que cada um pode dar."
Com o vaidoso,percebemos que muitas vezes só ouvimos o que nos interessa,no caso do vaidoso,ele soh ouve elogios e precisa de que as pessoas o tempo inteiro o elogiem para ter plena certeza de sua situação.Mas temos que ser auto-suficientes,e sempre ter uma auto-estima independente das elogios alheios,e sempre procurar ouvir as criticas e aprender com elas.
Mais tarde o principe conhece um bêbado,que bebia pra esquecer que tinha vergonha de beber,percebemos então que o individuo muitas vezes tenta escapar da realidade mas não consegue escapar da vergonha de ser como é.
O proximo é o homem de negócios,ele se ocupava o tempo todo de "coisas sérias",não tendo tempo nem pra ser feliz,nunca prestou atenção nos detalhes e nem procurava dividir suas emoções com alguém,ele vivia na satisfação da ilusão de que possuia tudo e que isso bastava.
Mas na realidade ele não possuia nada a nao ser um grande vazio...
O quinto planeta era o do acendedor de lampiões,que seguia um sistema absurdo acendendo e apagando o lampião a todo instante não lhe restando tempo para mais nada,mas ele tinha que seguir o regulamento,obedecer o sistema,mesmo sem ter tempo para viver,mas pelo menos como disse o nosso principezinho "talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio".
O próximo era o planeta do geógrafo,que não explorava nada e vivia apenas do que era provável,assim como ele as vezes acabamos por dar mais valor às coisas que acreditamos ser mais duradouras,sem perceber que a felicidade está nas coisas efêmeras,passageiras,como os momentos e as pessoas,assim também como a flor do principezinho.
O sétimo e último planeta foi a terra,que contém ao mesmo tempo,reis,bêbados,vaidosos,ascendedores de lampiões e todo o resto,convivendo uns com os outros,ou seja,pessoas com todos os tipos de personalidade compartilhando do mesmo espaço tendo que lidar uns com os outros.

Um dos temas principais percebidos no livro,são as ligações afetivas em geral mas especificamente a amizade.Se fala muito em cativar,que como a raposa disse para o nosso principe,significa criar laços.Como eu disse no outro post,há sempre a necessidade de tornar algo ou alguém único,ou seja,mesmo que existam mil iguais ao objeto,se você tiver criado um elo especial (criar laços) com um deles por alguma caracteristica determinada que só aquele tem (o que ele te faz sentir,o que você provoca nele...) a partir desse momento ele séra único pra você,isso quer dizer cativar,criar laços com um indivíduo,um elo que o torna diferente dos outros por algum determinante que só ele possui ou desperta.
"Tú não és ainda para mim senão um garoto exatamente igual a outros cem mil garotos,e eu não tenho necessidade de ti.E tu não tens também necessidade de mim.Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.Mas se tu me cativas nós teremos necessidade um do outro.Serás para mim único no mundo e eu serei para ti única no mundo."
Pra se cativar algo tem que se conhecer bem o objeto,e isso leva tempo.
"A gente só conhece bem as coisas que cativou."
Primeiro acontece todo um processo de conhecimento e de perceber no sujeito coisas que o torna diferente dos demais.Com o tempo e o convívio,vai se construindo outros fatores importantes como a confiança por exemplo,pra daí sim o elo estar forte o suficiente.Isso é cativar.
Infelizmente quando se cria laços com alguém e por algum motivo ocorre uma separação,ela se torna demasiadamente dolorosa,pois vai se conviver com a ausência de um objeto que te proporciona sentimentos e reações únicas,fazendo nos sentir como se ele tivesse levado consigo tudo aquilo que ele nos proporcionava.
"Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa.Vós não sois nada ainda.Ninguém ainda vos cativou,nem cativastes a ninguém...Não se pode morrer por vós,.Minha rosa sem dúvida,um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco.Ela sozinha porém é mais importante que vós todas,pois foi a ela que eu reguei.Foi a ela que pus sob a redoma.Foi a ela que abriguei com o paravento.Foi dela que eu matei as larvas(exceto duas ou três por causa das borboletas)...É a minha rosa."
Discute-se também sobre como as pessoas não sabem o que buscam e nunca estão felizes onde se estão.Elas correm o tempo todo para matar o tempo e no fim o tempo as mata....
Vemos também que o que atribui valor a algo,é como ele foi conquistado.No livro o principe tinha sede da agua que foi tão dificil de encontrar no deserto,pois ele alimentava não apenas a sua sede do corpo,mas também a sede da "alma",era fruto de seu esforço,e isso fazia com que ela simbolizasse o sofrido processo de conquista.
Por hoje é só...mas ainda não terminou asuhas
É que embora pareça simples,é um livro complexo pra ser discutido superficialmente.
Ele não merece isso.
Na próxima parte,faremos uma análise da simbologia dos personagens e tentaremos analisar o fim do livro. =D
Se quiserem comentar,perguntar ou acrescentar alguma coisa...fiquem a vontade.
E atée maaiss
"-Adeus,disse a raposa.Eis o meu segredo.É muito simples:Só se vê bem com o coração,o essencial é invisível para os olhos...
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa,que fez tua rosa tão importante...
-Os homens esqueceram essa verdade,disse a raposa.Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.Tu és responsável pela tua rosa..."
Até a próximaaa _l_