segunda-feira, 10 de maio de 2010

Análise "Le petit prince *-* parte III


Oi gentee =D
demorei mas cheguei AUHSYUIASH
Se bem me lembro,ainda não revemos o fim do livro,e é pra isso que eu estou aqui.
Depois de passar um bom período aqui na terra e reavaliar vários dos seus conceitos,o principezinho resolveu voltar a sua rosaa,e ele reencontra a serpente que tinha conhecido assim que chegou no planeta terra.Bem,geralmente a serpente simboliza traição,e isso deve ser levado em consideração na hora de avaliar o real simbolismo do seu personagem.
A cobra diz ao principe que podia fazer com que ele voltasse ao seu planeta com apenas uma picada e que isso não doeria muito,e assim concordou o principezinho,se despedindo então do nosso autor.
A infeliz hora da partida.
Para mim,as páginas finais são as mais belas e tristes de todo o livro.
É a despedida não apenas do seu novo amigo,como também de todos os seus conceitos e valores antigos,de toda sua mágoa e nostalgia.Agora o nosso menino dos cabelos dourados voltava a sua vida de antes,mas não era mais o mesmo menino.E o seu corpo era pesado demais para ir com ele,por isso resolveu deixar,o que realmente importa era a sua essência,o que ele era de verdade.
Ele se foi,mas as lembranças dele continuam,o que o torna presente.
Se analisarmos bem o livro como um conjunto,podemos até chegar a conclusão de que o nosso principe seria a criança que Exupery foi um dia.
Um reencontro.Percebemos isso em várias partes do livro,como por exemplo o fato do principezinho ir embora assim que o avião é concertado,como se a ligação física tivesse acabado deixando apenas as marcas do que ficou,e também ao observarmos que toda a aprendizagem do principezinho,seus sonhos e medos refletiam o íntimo do autor,reafirmando mais uma vez a possibilidade de serem a mesma pessoa.
Não sabemos ao certo,se o o pequeno morreu com a picada da cobra,ou se ele foi reencontra a rosa e para isso como ele mesmo disse,tinha que abandonar o corpo.Porém a idéia que mais faria sentido,seria a de que com o concerto do avião,a personificação da infância de Exupery tivesse ido embora,deixando apenas as lições e a moral.
Mas afinal,o que realmente nos importa é o aprendizado que o livro nos deixa e a reflexão que ele nos instiga a fazer.
Sobre os personagens,chegamos a uma conclusões bem subjetivas.
Os desenhos de jibóias abertas e fechadas seriam manifestações de desejos e sonhos que foram reprimidos.
Ao falar dos arbustos ruins,baobás,das rosas e do carneiro,podemos entender que as plantas ruins são os nossos maus sentimentos que se não forem arrancados depressa podem crescer e se tornarem baobás,fazendo com que esses maus sentimentos e idéias criem raízes em nós tornando dificil retira-los.Assim como as rosas que além de ser nossos sentimentos bons que devem ser cultivados e regados,são também pessoas que cativamos e que devemos fazer o possivel pra crescerem dentro de nós.
Já sobre o dilema do carneiro que come tanto os arbustos como as flores (mesmo as que tem espinhos) e que o principezinho tem medo de que coma sua rosa,esse carneiro simbolizaria o tempo que devora tanto as coisas ruins como as boas,mesmo que você as proteja com quantos espinhos quiser,o tempo leva tudo,dando efemeridade a todas as coisas,e não se pode amarra-lo com mordaça alguma.
É um obra que nos mostra uma profunda mudanças de valores que revela como nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas que nos rodeiam e como esses julgamentos nos levam a solidão.
Acredito que agora quando vocês relerem o livro e até mesmo para aqueles que espero que lerão pela primeira vez,enxerguem tudo de maneira diferente,com os olhos do coração =D
Ahh...eu queria muito falar pra vocês agora sobre o segundo livro de Exupery que fala também sobre a nossa criança majestosa "O amor do pequeno principe-cartas a uma desconhecida",é que um tempo depois de ter escrito o pequeno principe,o nosso autor-aviador se apaixonou por uma mulher casada em um trem com a qual teve um relacionamento secreto de mais ou menos um ano,depois ele não mais a viu e tomou a escrever a ela cartas que nunca foram entregues e resolveram ser publicadas nesse livro,sendo que as cartas originais estão em museu na França.
Mas terá que ficar para a próxima,pois gostaria muito de postar aqui um pouco da triste despedida do principe e do autor =/ É uma das partes mais legais pra mim e gostaria de compartilhar e relembrar com vocês *-*
Ahh...quem quiser baixar todo o livro aki vai o link http://www.4shared.com/document/wbX7UOCl/O_Pequeno_Principe__Ilustrado_.htm


"- Eu também volto hoje para casa...

Depois, com melancolia, ele disse:

- É bem mais longe... Bem mais difícil...

Eu percebia claramente que algo de extraordinário se passava. Apertava-o nos braços como se fosse uma criancinha; mas tinha a impressão de que ele ia deslizando verticalmente no abismo, sem que eu nada pudesse fazer para detê-lo...

Seu olhar estava sério, perdido ao longe:

- Tenho o teu carneiro. E a caixa para o carneiro. E a mordaça...

Ele sorriu com tristeza.

Esperei muito tempo. Pareceu-me que ele ia se aquecendo de novo, pouco a pouco:

- Meu querido, tu tivesse medo...

É claro que tivera. Mas ele sorriu docemente.

- Terei mais medo ainda esta noite...

O sentimento do irreparável gelou-me de novo. E eu compreendi que não podia suportar a idéia de nunca mais escutar esse riso. Ele era para mim como uma fonte no deserto.

- Meu bem, eu quero ainda escutar o teu riso...

- Mas ele me disse:

- Faz um ano esta noite. Minha estrela se achará justamente em cima do lugar onde caí o ano passado...

- Meu bem, não será um sonho mau essa história de serpente, de encontro marcado, de estrela?

Mas não respondeu a minha pergunta. E disse:

- O que é importante, a gente não vê...

- A gente não vê...

- Será como a flor. Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas.

- Todas as estrelas estão floridas.

- Será como a água. Aquela que me deste parecia música, por causa da roldana e da corda... Lembras-te como era boa?

- Lembro-me...

- Tu olharás, de noite, as estrelas. Onde eu moro é muito pequeno, para que eu possa te mostrar onde se encontra a minha. É melhor assim. Minha estrela será então qualquer das estrelas. Gostarás de olhar todas elas... Serão, todas, tuas amigas. E depois, eu vou fazer-te um presente...

Ele riu outra vez.

- Ah! Meu pedacinho de gente, meu amor, como eu gosto de ouvir esse riso!

- Pois é ele o meu presente... Será como a água...

- Que queres dizer?

- As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, era ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém terás estrelas como ninguém...

- Que queres dizer?

- Quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, porque numa delas estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir!

E ele riu mais uma vez.

- E quando te houveres consolado (a gente sempre se consola), tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E abrirás às vezes a janela à toa, por gosto... E teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Tu explicarás então: "Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!" E eles te julgarão maluco. Será uma peça que te prego...

- E riu de novo.

- Será como se eu te houvesse dado, em vez de estrelas, montões de guizos que riem...

E riu de novo, mais uma vez. Depois, ficou sério:

- Esta noite... Tu sabes... Não venhas.

- Eu não te deixarei.

- Eu parecerei sofrer... Eu parecerei morrer. É assim. Não venhas ver. Não vale a pena...

- Eu não te deixarei.

Mas ele estava ocupado.

- Eu digo isto... Também por causa da serpente. É preciso que não te morda. As serpentes são más. Podem morder por gosto...

- Eu não te deixarei.

Mas uma coisa o tranquilizou:

- Elas não têm veneno, é verdade, para uma segunda mordida...

Essa noite, não o vi pôr-se a caminho. Evadiu-se sem rumor. Quando consegui apanhá-lo, caminhava decidido, a passo rápido. Disse-me apenas:

- Ah! Estás aqui...

E ele me tomou pela mão. Mas afligiu-se ainda:

- Fizeste mal. Tu sofrerás. Eu parecerei morto e não será verdade...

Eu me calava.

- Mas será uma velha casca abandonada. Uma casca de árvore não é triste...

- Tu compreendes. É longe demais. Eu não posso carregar esse corpo. É muito pesado.

Eu me calava.

Perdeu um pouco da coragem. Mas fez ainda um esforço:

- Será bonito, sabes? Eu também olharei as estrelas. Todas as estrelas serão poços com uma roldana enferrujada. Todas as estrelas me darão de beber...

Eu me calava.

- Será tão divertido ! Tu terás quinhentos milhões de guizos, eu terei quinhentos milhões de fontes...

E ele se calou também, porque estava chorando...

- É aqui. Deixa-me dar um passo sozinho.

E sentou-se, porque tinha medo.

Disse ainda:

- Tu sabes... Minha flor... Eu sou responsável por ela! Ela é tão frágil! Tão ingênua ! Tem quatro espinhos de nada para defendê-la do mundo...

Eu sentei-me também, pois não podia mais ficar de pé.

Ele disse:

- Pronto... Acabou-se...

Hesitou ainda um pouco, depois se ergueu. Deu um passo. Eu... Eu não podia mover-me.

Houve apenas um clarão amarelo perto da sua perna. Permaneceu, por um instante, imóvel. Não gritou. Tombou devagarzinho como uma árvore tomba. Nem fez sequer barulho, por causa da areia.

E agora, certamente, já se vão seis anos... Jamais contara essa história. Os camaradas ficaram contentes de ver-me são e salvo. Eu estava triste, mas dizia: É o cansaço...

Agora já me consolei um pouco. Mas não de todo. Sei que ele voltou ao seu planeta; pois, ao raiar do dia, não lhe encontrei o corpo. Não era um corpo tão pesado assim... E gosto, à noite, de escutar as estrelas. Quinhentos milhões de guizos...

Mas eis que sucede uma coisa extraordinária. Na mordaça que desenhei para o príncipezinho, esqueci de juntar a correia! Não poderá jamais prendê-la no carneiro. E eu pergunto então: "Que se terá passado no planeta? Pode bem ser que o carneiro tenha comido a flor...".

Ora eu penso: "Certamente que não! O príncipezinho encerra a flor todas as noites na redoma de vidro e vigia bem o carneiro...". Então, eu me sinto feliz. E todas as estrelas riem docemente.

Ora eu digo: "Uma vez ou outra a gente se distrai e basta isto! Esqueceu uma noite a redoma de vidro ou o carneiro saiu de mansinho, sem que fosse notado...". Então os guizos se transformam todos em lágrimas!...

Eis aí um mistério bem grande. Para vocês, que amam também o príncipezinho, como para mim, todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não a rosa...

Olhem o céu. Perguntem: Terá ou não terá carneiro comido a flor? E verão como tudo fica diferente...

E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância! " fim *-*

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